O Candomblé para mim deixou de ser apenas uma religião para se tornar um estilo de vida.

"Huntó Douglas D' Odé"

sábado, 10 de dezembro de 2011

Série "Ìyábàs as Deusas do Candomblé" Parte VI - Nanã

Deusa dos pântanos, representa a memória ancestral da humanidade pré-histórica. A mais antiga Ìyábà do panteon africano. Mãe de Obaluayè, Bessen, Frekuen, Iyewá, Iroko e Ossayn, Nanã é a senhora das águas paradas, numa referencia às águas primordiais de onde Òdúdúwà criou a Terra. Oriunda do reino de Dahomé, Nanã rege fisicamente, o estômago, os intestinos, a memória e os pés.

Mãe misericordiosa;

Afasta de meu caminho a Morte, afaste de mim os precalços.

Der-me felicidade e saúde;

Der-me vida e saúde;
Der-me amor e saúde;

Der-me dinheiro e saúde;

Força minha mãe!

Não deixa mãe, que a morte se aproxime de mim.

Nanã representa a memória transcendental do ser humano e o acervo das reações pré-histórica de nossos antepassados.  Sua origem  lendária parece estar ligada a povos que habitaram a África antes da chegada de Òdúdúwà, e seria ela a zeladora pela continuidade da existência da espécie humana. Nanã é responsável pelo esquecimento de vidas passadas. Senhora do livre arbítrio e da lama, matéria primordial para fecundação do homem.

Ibý ri Salubó!
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Finda-se aqui a série "Ìyábàs as Deusas do Candomblé", a última série que o Blog Apejá Omi Onjé Dìdún posta no ano de 2011. Desejo que todas Ìyábàs abençõe o ano e a vida de todos os leitores do Blog.


Encerro dedicando a série a todos os filhos destas grandes Deusas, que tem grande participação na vida da humanidade. Em especial dedico à:


Doné Cristiane D' Osún (Asé Omó Inà);
Egbomy Marli D' Oyá;
Doté Luís D' Iyansà;
Fomutinha Alessandra D' Iyobá ( Asé Bàbá Pitiodê);
Mãe Sabrina D' Iyewá;
Mãe Anastácia D' Iyemonjá (Asé Omó Inà);
Mãe Madalena D' Nanà.


E a todos que tem as grandes Deusas do Candomblé como composição de cabeça.



Osóssí Mojubá
Iyansà Ìyá Nlá
Bessen Aho bo boy
Olorun Modupé
Asé o.



Por: Huntó Douglas D' Odé

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Série "Ìyábàs as Deusas do Candomblé" Parte V - Iyemonjá.

Mãe dos filhos peixes, rainha dos mares. Filha da rainha do mar Olokun, habitante dos mares e oceanos. Senhora de todas as cabeças, Iyemonjá rege o discernimento humano. Uma ìyábà extremamente ciumenta, mas não demonstra , preferindo aguardar a hora da revanche. 

Grande mãe que o mundo abraça;

Braço do mar, que é o senhor do mundo;

Iyemonjá, mãe dos filhos peixes; 

Mar imenso;

Mar sem fim;

Mãe e senhora de nossas cabeças;

Senhora dos segredos de cada Asé;

Senhora das ressacas marítimas;

Mãe da hierarquia, mas mesmo sendo a senhora da hierarquia, consegue ser mãe e abraçar todos os filhos.

Poderosa e atraente, Iyemonjá quando invocada por que realmente a conhece, propicia favores e ajudas inestimável. Esposa de Osalá , única ìyábà que consegue dominar a fúria de Sangò. Responsável por trazer o Òrísà ao Orí do Iyawò. Sempre lembrada nas noites do dia 31 de dezembro, Iyemonjá é a mãe da virada de ano. Mãe da ÌyáRunsó, protetora das Ekedjís, Iyemonjá auxilia Sangò na doutrina sacerdotal.

Ìyá Masse Malè ìyábá orí ò.

Por: Huntó Douglas D' Odé

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Série "Ìyábàs as Deusas do Candomblé" Parte IV - Iyewá.


Senhora das brisas, dona de tudo que é selado. Divindade dos lagos, senhora da virgindade, protetora de tudo que é virgem. Seu nome significa beleza e graça, Iyewá dona das insígnias, princesa que habita no fim do arco-íris. Vodun originário de Dahomé, pertence a família de DanBirá, irmã gêmea de Bessen e Frekuen. Iyewá nasceu para ser o símbolo da pureza de todos os Òrísàs.

Ìyewá é livre;

A liberdade é a sua casa;

A casa de Iyewá não tem paredes e nem teto, a casa de Iyewá é o mundo;

Iyewá não tem dono, traça seu próprio destino;

Escreve sua própria história;

Rósea brilha no brilho das estrelas;

Reluzente acende o céu quando o Sol se põe;

Toda as cores do fim da tarde são de Iyewá;

O céu da tarde é o seu rosto;

A luz das estrelas seus olhos;

O barulho das águas sua voz;

O guizo das serpentes é o seu brado de liberdade;

Cobra não reconhece dono.

Representada pela cor branca do arco-íris, e pelo arco-íris que fica em volta da Lua, seu animal predileto é a serpente branca. Recebeu de Dan Wedo o poder sobre a vidência e da riqueza. Carrega consigo uma lança que ganhou de Ajunssun, um ofá que ganhou de Odé, carregando ainda como seu maio símbolo uma âncora.

Hý hó!

Por: Huntó Douglas D' Odé

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Série "Ìyábàs as Deusas do Candomblé" Parte III - Iyobá

Terceira e mais ciumenta esposa de Sangò. A mulher que vira rio, senhora das ilhas e penínsulas. Mãe da rivalidade. Dona da culinária afro, a mais ingênua das ìyábàs, Iyobá foi quem fundou a sociedade Gèlédè. Grande rival de Osún, senhora responsável pela água salgada da pororoca.

Iyobá toma a espada e vai para guerra ao lado de Ogún
Ela mata, ela morre ao lado de Ogún;
Ela é Ogún.

Iyobá toma o ofá e vai caçar ao lado de Odé
Ela caça, ela come ao lado de Odé;
Ela é Odé.

Iyobá yoma a coroa e vai reinar ao lado de Sangò
Ele reina, ela é rainha ao lado de Sangò;
Ela é Sangò.

Esquece como guerrear, esquece como caçar, esquece como reina, esquecer até de ser Iyobá. Ela vive pelo amor de Sangò e morre sem o amor de Sangò.

Usa escudo, veste-se de coral. Carrega consigo um Ofá que ganhou de Odé. Dona das águas revoltas, representa o aspecto masculino das mulheres (fisicamente) e a transformação dos alimentos crus em cozidos. Bastante conhecida pelo Itan onde ela recebe o conselho de Osún para decepar uma das orelhas para agradar ao esposo Sangò. Apesar de ser uma ìyábà é muito mais forte que muitos òrísàs oboró, pois venceu a luta contra Osalá, Sangò e OrúnMilá.

Obá xi xirè!

Por: Huntó Douglas D' Odé

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Série "Ìyábàs as Deusas do Candomblé" Parte II - Iyansà

Mãe dos 09 céus, habitante do maior rio da África, o rio Niger, senhora das tempestades, vendavais, furacões. Mãe da alegria, dona das flores coloridas. Senhora que caminha no mundo dos mortos, responsável por levar os espíritos desencarnado ao encontro de Olorun. Grande conhecedora da magia encantadora. Dona dos espíritos, carregadeira de ebó. Oriunda da cidade de Nupe/Tapa, Iyansà foi a esposa preferida de Sangò, casou-se ainda com Esú, Ogún, Odé e Obaluayè, e ajudou-o a conquistar diversos reinos pela África. 

Ilumina o céu na tarde escura;
Vento da morte;
Vento que traz a chuva;
Vento que destelha a casa do traidor;
Vento que deixa a chuva inundar a cidade;
Vento que destrói, que mata;
Brisa benfazeja que afasta as nuvens negras;
Vento da vida na tarde de Sol;
Vento que afasta a escuridão;
Vento que devolve a luz do dia;
Vento que encanta;
Vento que brilha;
Vento que refresca o rosto de amigo.

Sobrinha do rei Elempé. Esposa de Ogún com quem teve seus nove filhos. Iyansà é a mãe protetora de todods aqueles que escondem um segredo. Mulher que se veste de búfalo para caçar, mulher que toma a espada e vai a guerra, mulher que não perde batalha. Iyansà deusa dos ventos, comando os elementos, na ponta de seu Eruesin traz a magia da borboletas. Senhora da alegria e dos sorrisos. Iyansà mãe dos 09.

Epa hey y guerrey ìyá messan Orún.

Por: Huntó Douglas D' Odé

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Série "Ìyábàs as Deusas do Candomblé" Parte I - Osún

Na Nigéria, mais precisamente em Ijesá, Ijebu e Osogbó, corre calmamente o rio Òsún, a morada da mais bela Iyabá, a rainha de todas as riquezas, a protectora das crianças, a mãe da doçura e da benevolência. Generosa e digna, Òsún é a rainha de todos os rios e cachoeiras. Vaidosa é a mais importante entre as mulheres da cidade, a Iyalodê. É a dona da fecundidade das mulheres, a dona do grande poder feminino. 

Osún mãe da clareza.
Mãe que enfeita o filho com ouro.
Fabrica fortuna na água.
Cria crianças no rio;
Brinca com seus braceletes;
Colhe e acolhe segredos na areira.
Fêmea de quem macho, foge. Na água funda nas funduras das águas que correm . 
Osún do seio cheio de amor.

Osún recebe as oferendas de mulheres que desejam ter filhos. carrega consigo os predicados da beleza, uma ninfa das águas doces, senhora responsável pelo ovo, a maior célula viva. Sendo responsável ainda por diversas etapas da existência da humanidade, tendo como propriedade a fecundação, o nascimento e a criação da vida. Senhora do início da vida, tem a propriedade de vários utensílios do Ìyáwò dos àwon Òrísà. Esposa de Òsòòssí, com quem teve um filho chamado Ologún-Edé, logo em seguida casou-se com Sangò, foi a segunda esposa de Sangò, era que Sangò dava mais presentes, porém não foi a mais amada. Menina dos olhos de Òsalá, companheira de Ifá, Òsún recebeu de Ifá a propriedade de dá a vidência para aqueles que ela achasse merecedor.

Osún, mãe que ampara o filho no momento de dor, mãe que bate quando o filho erra. Mãe que acalenta o filho no momento de sofrimento. Osún é a mãe doce, meiga que a todos ama, Osún é aquela que vira leoa para defender um filho. Osún grande representante do amor, da bondade, do bom caráter e da boa educação. Protetora impulsiva das crianças. A mulher que conhece Osún não maltrata um filho, a mulher que conhece Osún não faz um aborto, a mulher que conhece Osún sabe o que é ser mãe.

Ora iye iye o fiderioman omin a bela ko odò Azirí Adolá.

Por: Huntó Douglas D' Odé

terça-feira, 22 de novembro de 2011

A incorporação.

A incorporação vem se tornando ao longo do tempo um assunto que ninguém aborda, muitas vezes por medo de falar a verdade, por medo de ferir aos outros e na grande maioria das vezes medo de saber que a verdade vai contra aquilo que vem praticando há anos.

Para um médium ter uma boa incorporação é necessário que a energia do Òrísà ou entidade tome o corpo do médium em 80%, sendo assim ainda sobrariam 20% que fica responsável pelos órgãos vitais do ser humano, ou seja, a respiração, a visão, a audição e os movimentos, que são utilizados pela energia conduzida. Em uma incorporação que fica 50% a energia conduzida (Òrísà ou Entidade) e 50% a energia condutora (Médium) é notório que esse médium não está tendo uma boa incorporação. É aonde entra a interferência do médium, falando aquilo que acha correto ou aquilo que tem vontade de falar e por alguém motivo não fala.

É fato que ninguém se incorpora totalmente com Òrísà, já que seria impossível, pois não há ser humano que seja puro o suficiente para que um Òrísà use seu corpo. A energia do Òrísà depositada no corpo de um médium não é a total energia de um Òrísà. Um filho de Iyemonjá tem forças para segurar as águas do mar? Um filho de Òsún tem força para segurar as águas do rio? Um filho de Iyansà tem força para segurar um vendaval? A resposta para todas as perguntas é não, então uma incorporação com 100% da energia do Òrísà seria como um filho de Iyansà segurar o vendaval. Cada médium recebe a quantidade de energia que seu corpo suporta para preencher os 80% que ficam disponíveis para o Òrísà.

Existem regras básicas para que um médium tenha uma boa incorporação. Uma pessoa que vestirá seu Òrísà em uma festa domingo, sem sombra de dúvidas deve ter um preparo. Se essa pessoa sai no sábado, vai para uma boate, bebe a noite toda, tem relações sexuais, e chega em casa às 15:00hrs para vestir o Òrísà às 18:00hrs, fica notório que essa pessoa não receberá nem a metade da energia que deveria receber. Porém se essa mesma pessoa ficasse em casa, repousando, essa pessoa receberia a energia que necessita.

Há outro fator na incorporação que é importante ressaltar, que é a força da energia recebida. A energia perde força conforme o tempo, um sirè dura geralmente em torno de 6 horas, dentro dessas 6 horas o Òrísà de uma pessoa que ainda é Iyawò, passará várias vezes, é claro que quando esse Òrísà passar pela última vez no sirè já não será mais com a mesma força que passou da primeira vez, isso ocorre devido ao corpo físico da energia condutora ou médium ficar cansado, com a fraqueza do corpo do médium a energia do Òrísà também vai perdendo força.

Quando uma pessoa está virada com Òrísà, as pessoas afirmam que a mesma não pode sentir dores ou necessidade de água, que é uma verdadeira ignorância. Camuflado por baixo da energia está um ser humano que necessita de água, as dores de fato ficam mais neutralizadas, isso acontece já que os sinais vitais do médium estão em apena 20%.

Em uma festa de Esú muitos incorporam visando a bebida que tem para beber, esses médiuns após 20 minutos de festa, quando já beberam no mínimo 3 copos de champanhe, cachaça ou qualquer outra bebida a força da entidade já cai, justamente pelo fato do médium estar visando somente a bebida, a partir de então o médium passa a influenciar a entidade, até que a entidade vai se afastando cada vez mais, porém o médium que só visa a bebida permanece dizendo que está incorporado, aonde fala coisas que magoam pessoas, e perde ainda mais a credibilidade aos olhos das pessoas.

É uma covardia do médium que utiliza uma entidade para falar aquilo que lhe convém. Entidades essas muitas que muitas vezes vem a Terra com o propósito de fazer o bem, de prestar uma caridade e ajudar aqueles que necessitam.

Para uma boa incorporação basta a boa vontade e a concentração do médium.

Por: Akòwé Ofá Dourado.

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Dia 02 de novembro - O dia de finados

Estamos chegando a mais um dia de finados, as pessoas começam a preparar-se para irem visitar o túmulo de seus parentes e ter uma lembrança mais próxima de seus entes queridos. Chegando ao cemitério, as pessoas ficam quase que impedidas de entrarem, devido ter diversas giras de Umbandas, pessoas incorporadas com seus Esús dentro e na porta do cemitério. Quando as pessoas conseguem chegar ao túmulo de seus parentes o que encontram? Encontram dezenas de padês, dezenas de garrafas de cachaça, dezenas de bichos mortos, enfim sujeiras. Será que o Candomblé irá conseguir crescer, irá conseguir ser uma religião de primeiro mundo, acho difícil. Enquanto o Candomblé mantiver essas tradições milenares que denigrem-o, nunca iremos conseguir chegar ao primeiro mundo. Em Paris, a cidade mais linda do mundo, a cidade onde todos cobiçam ir, não tem uma casa de ervas, não tem uma vela nas prateleiras dos mercados e tudo isso porque em Paris não tem lugar para sujeira, não tem lugar para uma religião que seus membros presam a sujeira das ruas, dos cemitérios e de vários outros lugares. A falta de respeito com os mortos por parte dos membros de Candomblé é muito grande. No dia dois de novembro, são cenas deprimentes que vemos dentro dos cemitérios, são cenas que nos fazem ver uma religião que foi construída pelo trabalho de velhas negras ir por água abaixo, vemos nesse dia Esús e Pombo-Giras sendo expostos ao ridículo, Pombo-Giras apanhando de evangélicos por estarem sentada nas sepulturas de seus parentes. Será que isso é necessário para um religião, será que os Esús e Pombo-Giras se sentem felizes e satisfeitos vendo seus nomes sendo jogados na lama, e tudo porque pessoas incultas e sem liturgia acham que Esú bom é aquele que passa a noite toda bebendo, Esú bom é aquele que pratica a maldade, Esú bom é aquele que fica dentro do cemitério arrombando sepulturas alheias. As pessoas passam pelas portas dos cemitérios e quando olham aquelas dezenas de Esús na porta, todas têm um único pensamento "Só podiam ser de Candomblé". Sim só podiam ser de Candomblé, porque o Candomblé é a única religião que não permite que as demais joguem seu nome no lixo, porque grande parte dos seus membros já faz esse favor, será que Ìyá Nassò, Iyá Kalá, Ìyá Obá Tossi, Ìyá Omonikè, Ìyá Obá Biyi, enfim as Ìyás que tanto lutaram para que o Candomblé ocupasse um bom lugar na sociedade merece ver o trabalho, o esforço de toda uma vida sendo jogado no lixo. Cemitério é lugar de descanso eterno para as pessoas que sofreram dias, meses e algumas até anos em cima de uma cama com uma doença maligna, cemitério não foi feito pra tocar atabaques como muitos fazem, e com certeza esse mesmo atabaque que tocam dentro dos cemitérios no dia de finados é o mesmo atabaque que tocam para uma saída de Iyawò, que tocam para uma obrigação de 7 anos. As Igrejas Universais fazem a grande festa do Finado Vive, as Igrejas católicas rezam suas preces, as Igrejas Evangélicas ignoram o fato de ser dia de finados e o Candomblé? O Candomblé vai pro cemitério arrombar sepulturas e colocar nomes de inimigos.Querido leitor, não estou aqui querendo mudar o mundo e muito menos ser melhor que ninguém, quero apenas fazer com que as pessoas se conscientizem de que o Candomblé pode ser e é muito mais do que isso que estão lhe transformando. Quero que as pessoas entendam que nossa religião não consegue crescer, não consegue evoluir, não consegue ser respeitada por conta desses pequenos atos mesquinhos. 

Por: Akòwé Ofá Dourado

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Série "Cabeças especiais" - Abíkú (Nascido para morrer)

 A tradução literal é "Nascido para morrer", nome designado a crianças ou jovens que morrem antes de seus pais. Há, assim dois tipos de Abíkú: O primeiro Abíkú-omode, designado a crianças e o segundo, Abíkú-Agba, referindo-se a jovens ou adultos que morrer, via regra em momentos significativos de suas vidas e sempre antes dos pais, apresentando nisso uma alteração da ordem natural que é aceita e entendi como aqueles que chegaram primeiro ao Aiyè, voltam primeiro ao Orún.

No Orún vive um grupo de crianças chamada de Elegbe e este grupo constitui o Egbé Orún Abíkú, ou seja, sociedade das crianças que nascem para morrer. Contam os mitos que a primeira vez que os Abíkú vieram para o Aiyé foi em Awaiye e constituiam um grupo de duzentos e oitenta, trazido por Alawaiye, chefe dos Abíkú no Orún. Na encruzilhada que une o Orún ao Aiyè, todos pararam e vários pactos foram feitos, definindo o momento particular do retorno de cada um ao Orún. Alguns voltariam quando vissem pela primeira vez o rosto da mãe, outros voltaria quando casasse, um terceiro grupo voltaria quando completasse determinado tempo de vida, uma quarto grupo voltaria quando tivesse o primeiro filho, e assim por diante. O carinho e o amor dos pais não seriam capazes de retê-los no Aiyè. Alguns assumiram o compromisso de que nem nasceriam.

O Iyorubá acredita que a ação do Abíkú ocorre por determinação do destino da mãe, ou por força de magia, ou ainda por condições acidentais. Existe a crença de que uma mulher grávida, ao passar por determinados locais em que os Abíkú se estabelecem se não estiver devidamente protegida, pode ser invadida por este espírito e tornar-se sujeita à gravidez de um Abíkú. É muito comum que mulheres Iyorubá quando estão grávidas carreguem junto à barriga um Okutá preparado para evitar a invasão de ums espírito Abíkú.

Elegbe é cultuado e louvado com a finalidade de defender as crianças da morte prematura e oferendas lhe são feitas para que desistam de levas os Abíkú de volta ao Orún. 

Existem pessoas que são Abíkú e existem pessoas que tem espírito Abíkú. Quando a criança nasce e a mãe morre ou a gravidez é gêmeos, trigêmeos e uma das crianças nasce morta as que ficam são Abíkú, isso significa que a criança é Abíkú. Pessoas que tem espírtios Abíkú são crianças que foram invadidas pelo espírito ainda na barriga da mãe, esse tipo de Abíkú é o mais díficl de identificar-se. A pessoa com espírito Abíkú tem grande carrego com Ikú, e o cuidado com mortes súbitas deve ser dobrado. Os espíritos Abíkú podem  escolher famílias e acompanhar a família, de geração em geração. Ou seja, sempre terá um espírito Abíkú na família.
Por último, dois aspectos são importantes de serem nomeados: O primeiro diz respeito ao que podemos chamar de comportamento peculiar da criança Abíkú. São certamente crianças que se distinguem por este aspecto. Segundo, a resitência, na nossa cultura, que os pais têm em aceitar o fato de terem um filho Abíkú e a dificuldade consequente em lidar com esta criança e todas as necessidades decorrentes da luta pela sua permanência no Aiyè. Cabe ai um importante papel para o sacerdote que pode ajudá-los a compreender a questão, dar-lhes orientação e acompanhamento durante todo o processo.Um Abíkú nunca poderá ser raspado, podem ser Ogans, Ekedjís ou rodantes. Alguns nomes dados aos Abíkú: 

Aiyédùn - a vida é doce;

Aiyélagbe - Nós ficamos no mundo;

Akúji - O que está morto, desperta;

Bánjókó - Senta-se comigo;

Dúrójaiyé - Fica para gozar a vida;

Dúróoríìke - Fica tu serás mimada;

Èbèlokú - Suplica para que fique;

Ilètán - A terra acabou (não há mais terra para enterrá-lo);

Kòjékú - Não consinta em morrer;

Kòkúmó - não morra mais;

Kúmápáyìí - A morte não leva este daqui;

Omotúndé - A criança voltou;

Tìjúikú - Envergonhado da morte (não deixa a morte te matar);
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Encerrando aqui a série "Cabeças especiais". Espero que todos que acompanharam essa série e os que ainda lerão, leiam com atenção para entender o que são pessoas que necessitam de atendimentos diferenciados dentro de uma casa de Asé.

Aos Sacerdotes e Sacerdotisas - Não saiam colocando todos que chegam em suas casas direto para o ronkó sem procurar saber tudo que é necessário para aquela cabeça. 

Infelizmente os Sacerdotes hoje não estão se preocupando com o bem estar do filho e sim o dinheiro que irão pagar pela feitura ou obrigação. Esquecendo-se que cada cabeça é uma cabeça. Nem toda cabeça foi feita para ser raspada, nem todos que não viram são Ogans ou Ekedjís. Uma pessoa que tem espírito Abíkú pode sim viver uma vida tranquila sem pertubações Ikú, desde que o Sacerdote saiba acalmar a furia de Ikú, para que seu filho viva em paz.

Meus respeitos a todos os Sacerdotes, mas esqueçam um pouco o dinheiro e pensem um pouquinho mais nas cabeças que lhes são confiadas.

Òsóssì Mojubá
Iyansà Iyá Nlá
Bessen aho bo boy
Olorun Modupé

Asé o
 
Por: Akòwé Ofá Dourado

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Série "Cabeças especiais" - Crianças empelicadas

São crianças que nascem envoltas na placenta. Na hora do parto acontece o descolamento da placenta, envolvendo a criança, fazendo com que a criança nasça empelicada, existe ainda uma outra forma da criança nascer empelicada, que é quando passa da hora da criança nascer e quando nasce a pele fica toda escamada.

A criança que nasce empelicada tem grande carrego de Ikú. Conta com grande proteção de Ijímú e Osalá. Contam os itans do povo Iyorubá que quando uma criança nasce envolta na placenta essa criança será bem sucedida e será uma pessoa de muito dinheiro.

É muito comum que Sacerdotes procurem crianças até 01 que nasceram empelicadas para participar dos Oròs de fundamentação de Ijimú, sendo assim Ijimú amparará essa criança até os 05 anos de vida e o filho de Ijimú será como padrinho dessa criança.

Por: Akòwé Ofá Dourado

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

Série "Cabeças especiais" - Abíadan (A vida embalada por Dan)

São crianças que contam com grande proteção do Vodun Dan Bessen, já que nasceram com o cordão umbilical enrolado no pescoço. O cordão umbilical é uma representação da ligação da mãe com o filho. Uma pessoa Abíadan pode ser rodante, Ogan, Ekedjí, podem receber cargos. Se rodantes podem abrir suas casas e iniciar pessoas normalmente.

Enquadram-se perfeitamente nos casos especiais dentro de uma casa de Asé, porém não necessitam de fundamentações diferenciadas. Independente da nação deve agradar sempre a Dan Bessen, com balaios periódicos, devendo ter a mesma obrigação com Frekuen e Iyewá. 

Se uma pessoa Abíadan for iniciada em uma casa de Djeje, toda obrigação que for dada deve-se agradar a família da 09 Dan's.O ibá de Bessen não pode faltar na composição de carrego dessa cabeça. O Abíadan em uma casa de Djeje tem uma função importante, ele deve ser o responsável por todo o processo de preparo e entrega do balaio de Azanadò. Sendo responsável ainda pela cultuação da árvore de Azanadò e toda vez que for posta alguma comida seca aos pés de Azanadò para Adangbé deve ser entregue por um Abíadan.

Um Abíadan por ser raspado tranquilamente, a não ser que além de Abíadan a pessoa seja Abíkú eu Òrísà seja algum que não aceita a raspagem de seus filhos.

Por: Akówè Ofá Dourado

terça-feira, 4 de outubro de 2011

Série "Cabeças especiais" - Abíasé (A força trouxe a vida)

São crianças portadoras de grande Asé, pois parte de sua geração foi dentro do Ronkó. São filhos de mulheres que ao iniciarem-se não sabiam que estavam grávidas. Isso não significa que, uma mulher sabendo que está grávida entre para se iniciar e seu filho será um Abíasé. Só é considerado Abíasé se a mãe não souber da gravidez.

A criança Abíasè recebe toda a fundamentação da mãe. Ao nascer essa criança deverá tomar Oboris periódicos de 01 a 03 anos de idade. A partir de então, a criança fica liberada para concluir seu ciclo infantil. Quando a criança completar 07 anos de vida, deverá voltar ao Asé para ver se é preciso raspar.

O Abíasé tem seu Òrísà individual, independente do òrísà que o acolheu na barriga da mãe. Terá sempre a obrigação de cultuar o òrísà da mãe. Exemplo: Se a mãe for de osún Adolá, o filho deverá ter algém da Osún de seu carrego, a Osún Adolá em reverênbcia a sua mãe.

O Abíasé não nasce feito, ele apenas é detentor do Asé de dois òrísàs, pois recebeu ainda na barriga a fundamentação do òrísà da mãe e receberá a fundamentação do seu Òrísà, quando  inicia-se. Para um Abíasé ser considerado feito, ele deve ser do mesmo Òrísà da mãe incluindo o caminho qualificativo, ou seja, se a mãe for de Osún Karè o filho para ser considerado feito deverá ser também de Osún Karè. Um Abíasé poderá virar a qualquer momento ou nunca. Não pode ser considerado como Ogan ou Ekedjí.

Nem toda cabeça nasceu para ser raspada!

Por: Akòwé Ofá Dourado