O Candomblé para mim deixou de ser apenas uma religião para se tornar um estilo de vida.

"Huntó Douglas D' Odé"

segunda-feira, 28 de março de 2011

Série "Reino de Oyó - Família do Fogo" - Parte 01 - Sangò

Sangò é Òrísà de origem Iyorubá. Seu mito conta que foi rei da cidade de Oyó, identificado no jogo de Merindilogun pelo Odú Ejilaseborá. Como personagem histórico, Sangò teria sido o terceiro Aláàfìn Òyó "Rei de Oyó", filho de Oranyan e Torosi. Sangò no seu aspecto divino, permanece filho de Oranyan, divinizado, porém, tendo Iyemonjá como mãe e três divindades como esposas: Oyá a esposa prefirida, Òsún e Iyobá. Òrísá dos raios, trovões, grandes cargas elétricas, do fogo e da justiça. É viril, atrevido, violento, justiceiro, castiga os mentirosos, os ladrões e os mal-feitores. Por este motivo todos aqueles que morrem atrvés de um raio são chamados de punidos pela irá de Sangò. Da mesma forma, uma casa atingida por um raio é também marcada pela ira do grande Òrísà do fogo. 

Sangò foi o quarto rei lendário de Oyó (Nigéria, África), tornando-se um Òrísà de caréter rigoroso. Sua ferramenta é o Osè. É tido como um Òrísà poderoso da África, enquanto Òsóòssí é considerado o rei da nação Àláketú, Sangò é considerado o rei de todo o povo Iyorubá. Sangò é cultuado junto com seus 12 ministros.
Mesmo Sangò sendo temido e respeitado por toda a África, um dia seu reino foi atacado por uma grande quantidade de guerreiros que invadiram a cidade violentamente, destruindo tudo e matando soldados e moradores em uma tremenda fúria assassina. Sangò reagiu e lutou bravamente durante semanas. Um dia, porém, percebeu que a guerra tornara-se um caminho sem volta. Já viu perdido muitos soldados e única saída seria entregar sua coroa aos inimigos. Resolveu então procurar ÒrúnMilá e pedir-lhe um conselho para evitar a derrota. O adivinho mandou que ele subisse em uma pedreira e lá aguardasse, pois receberia do Òrún a iluminação do que deveria ser feito. Sangò subiu e quando estava no ponto mais alto do Reino de Oyó, foi tomado por extrema fúria. Pegando seu Osè, começou a quebrar as pedras com grande violência. Estas ao serem quebradas, laçavam raios tão fortes que em instantes transformaram-se em enormes línguas de fogo que, espalhando-se pela cidade, mataram uma grande quantidade de guerreiros inimigos.

Os que restaram, apavorados, procuraram os soldados de Sangò e renderam-se imediatamente pedindo clemência. levando a´te ao rei, os presos alegaram um emissário para servi-lhes de porta voz. O homem escolhido foi logo se atirando aos pés de Sangò; Desculpou-se pedindo perdão. Humilhando-se, explicou que lutavam, não por vontade própria, e sim forçados por um monarca, vizinho de Oyó, que tinha um grande ódio de Sangò e os martirizava impiedosamente. Sangò, altamente perspicaz, enxergou nos olhos do guerreiro que ele falava a verdade e perdoou a todos, aceitando-lhes como súditos de seu reino. Assim tornou-se conhecido como Òrísà justiceiro que perdoa quando defrontado com a verdade, mas que queima com seus raios os mentiroso e delinquentes. 

Sangò Ibarú - Encontro do fogo com a terra através de manifestações da natureza, como o raio, a larva vulcânica, materiais orgânicos em geral de alta combustão. 

Sangò Agodò - Divisor dos pólos terrestres, senhor das crateras, dos terremotos e guardião do globo terrestre.

Sangò Afonjá - Atua na formação das tempestades. Líder do exército imperial de Oyó, foi ele que conseguiu a independ~encia de Oyó.

Sangò Agojò - Responsável por devolver  água para terra em forma de chuva, senhor da sementes em germinação.

Sangò Aganjú - Auxilia Òsún na criação infantil, conduzindo a honestidade e caminhos profissionais, aguçando o interesse infantil através da aptidão.

Sangò Jakutá - É o grande atirador de pedras, ele é o próprio raio e trovão. É a própria ira de Olorun, é o senhor do edun-ará (Pedra de raio). Conta o itan que o reio de Jakutá foi atacado por guerreiros de povos distantes, nun dia em que seus súditos descansavam e dançam ao som dos tambores.

Òrísà divisório entre Òrún e Aiyè, tendo o poder de unificar as forças energéticas de vibração terrestre e astral. Sangò é aquele que mantém o elo espiritual e harmônico das forças para manter então o equilibrio da terra. Sangò não deve ser confundido com os seus ministros. Estes Àláàfin possuem a capacidade de administrar o comportamento progressista, cultura, étnico e moral de todo um povo, onde uma bancada com 12 ministros é dividida em 06 do lado direito (Ossi Àrá) onde absolve e 06 do lado esquerdo (Otun Àrá) que condenam, em caso de empate a decisão fica nas mãos do 13º Àláàfín, que neste caso é utilizado por Sangò.

É muito fácil reconhecer um filho de Sangò apenas por sua estrutura física, pois seu corpo é sempre muito forte, com uma quantidade razoável de gordura, apontando a sua tendência à obesidade; mas a sua boa constituição óssea suporta o seu físico avantajado.

Com forte dose de energia e auto-estima, os filhos de Sangò têm consciência de que são importantes e respeitáveis, portanto quando emitem sua opinião é para encerrar definitivamente o assunto. Sua postura é sempre nobre, com a dignidade de um rei. Sempre andam acompanhados de grandes comitivas; embora nunca estejam sós, a solidão é um de seus estigmas.

Conscientemente são incapazes de ser injustos com alguém, mas um certo egoísmo faz parte de seu arquétipo. São extremamente austeros (para não dizer sovinas), portanto não é por acaso que Sangò dança alujá com a mão fechada. Gostam do poder e do saber, que são os grandes objectos de sua vaidade.

São amantes vigorosos, uma pessoa só não satisfaz um filho de Sangò. Pobre das mulheres cujos maridos são de Sangò. Um filho de Sangò está sempre cercado de muitas mulheres, sejam suas amantes, sejam suas auxiliares, no caso de governantes, empresários e até babalorixás, mas a tendência é que aqueles que decidem ao seu lado sejam sempre homens.

Os filhos de Sangò são obstinados, agem com estratégia e conseguem o que querem. Tudo que fazem marca de alguma forma sua presença; fazem questão de viver ao lado de muita gente e têm pavor de ser esquecido, pois, sempre presentes na memória de todos, sabem que continuarão vivos após a sua retirada estratégica.

Cor: Vermelho e Branco ou Branco e marrom;

Dia: Quarta-feira;

Parte do corpo: Músculos;

Metal: Cobre;

Símbolo: Osè;

Saudação: Serè àjí Serè awò pamã awò kabecile;

Bichos: Ajapá;

Folhas: Folha de pará-raio, fortuna e folha de fogo;

Natereza: Pedreiras;

Pedras: Pedra de fogo;

Elementos: Raios, trovões e fogo;

Oferendas: Amalá, Ajebó e Abará;

Datas comemorativas: 24 de junho e 30 de setembro.

Por: Huntó Douglas D' Odé

Um comentário:

  1. genteeeeeeee ..abalou Bangú e adjacênscias !Parabéns Huntó ! mais uma de sua séries brilhantes e bem elaboradas * Para tdooooooo .. eáh Douglas Andrade passando !AbraçO! Huntó !

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